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Mensagem por Mizuki em Dom Out 27, 2013 11:03 pm


– Vamos Yuuno, temos que sair daqui!

– Mas Asuza... Não podemos deixar ele lá!

Yuuno puxou a mão da irmã e a fez parar de correr. Tomou um pequeno fôlego antes de olhar pra trás e ver novamente as imensas pontas transparentes e luminosas florescendo do topo de um prédio. A construção em si brilhava como nunca, e as ondas lançadas pelas estruturas pontiagudas já tinham destruído parcialmente as construções ao redor, forçando todos a fugir dali. Mesmo com o pânico instalado e a ideia de que nada mais poderia ser feito, Yuuno relutava. Asuza só queria a sua segurança, mas também se sentia culpada por fugir. Suspirou e olhou com firmeza para a irmã mais nova assim que decidiu.

– Tem razão. Vamos voltar.

Ambas correram de volta para o centro de todo aquele caos e adentraram a luz branca e violeta que recobria o edifício.

*Flashback ON*

– Mana, me ajude aqui!

Asuza tinha acabado de lavar a louça e enxugava um copo quando desviou preguiçosamente o olhar do noticiário e o direcionou para a porta. Assustou-se ao ver Yuuno trazendo um rapaz desacordado pendurado sobre um ombro, quase o derrubando.

– Meu Deus, o que é isso?! – e correu para ajudar.

– Eu fui tirar o lixo, e o encontrei aí na frente.

Com uma segurando de cada lado, conseguiram levá-lo até o sofá e deitá-lo. Pararam por alguns momentos para tomar fôlego, checaram se ele estava ferido, trouxeram um cobertor e só então pararam para analisá-lo. Yuuno puxou um banco e sentou próxima a ele.

– Apesar de ser assim tão pálido... Ele é bonito, não acha?

– Sim. Mas essas são roupas de hospital... Acho que ele fugiu de algum nas redondezas.

– Você não vai ligar nos hospitais pra perguntar agora, vai?

– Claro que sim. Por quê?

– Mas e se ele fugiu porque tinha algo fazendo mal a ele? Temos que pensar nisso também...

Asuza pendeu a cabeça para o lado e sorriu meio sem jeito.

– Se essas coisas não acontecessem na vida real, ia achar que está vendo filmes demais... Tudo bem, ele fica. Vou preparar o jantar.

– Ah... Certo.

Yuuno sorriu aliviada. Acomodou-se no banco e pôs-se a observar aquele rapaz mais de perto. Com ares de curiosidade semelhantes ao de uma criança, olhava, olhava e olhava. O cabelo preto e espalhado cobria toda a testa e a nuca. O rosto remetia a uma pessoa frágil. Yuuno fascinou-se: Como seria alguém como ele? Seria tão sereno e frágil como parecia? Não sabia o que a esperava, mas não parecia lembrar-se disso. Então, levada pelo momento, segurou a mão dele: Era gelada.

– Assim até parece que você está morto...

E como se quisesse confirmar, tocou-lhe o peito com a outra mão. Nesse mesmo instante, os olhos do rapaz se abriram. Olhos absurdamente azuis e assustados. Ele se sentou num sobressalto, olhando ao redor rapidamente.

– Onde eu estou?

– Na minha casa. Você estava desmaiado aqui na frente, aí te trouxemos pra dentro. Fique calmo, não vamos te fazer mal.

Ela falou sorrindo, tentando lhe passar segurança, e só então se lembrou de soltar a mão dele. Sentiu-se um pouco envergonhada por isso.

– Eu me chamo Yuuno Hagiyama. E você?

Ele ficou surpreso. Parecia um pouco mais calmo, mas tinha dificuldades em responder a pergunta. Yuuno aguardou com nervosismo, pensando que ele poderia ter alguma amnésia, mas se tivesse, ela torcia para que não fosse sério. Finalmente, ele pareceu lembrar.

– É Shunsuke. Mas não me lembro do meu sobrenome.

Ela olhou ligeiramente atônita, mas aceitou a resposta. “Deve ter amnésia mesmo”, pensou. Sorriu pra ele mais uma vez, e decidiu que a partir dali deveria ajudá-lo.

*Flashback OFF*


– Asuza...

– Sim? – respondeu sem parar de correr.

– Quando você disse que ia ligar pros hospitais naquele dia, você sabia que ele podia nos trazer problemas, não é?

– Claro. E você também, não?

– Sim, mas eu meio que me esqueci disso. E também não achei que algo assim poderia acontecer...

– Não, você fez certo em querer ajudá-lo. Afinal, ele é a vítima nessa história.

Mais alguns minutos e enfim ambas terminaram de atravessar o extenso corredor que dava no salão principal, repleto de escombros. No entanto, o elevador não poderia ser usado: Jazia no chão completamente destruído, com os cabos rompidos. Dado ao estado dele, a conclusão era a de que tinha caído a uma grande velocidade, e possivelmente de algum dos andares mais altos. Asuza ponderou por um momento e virou-se para a irmã.

– Vamos pelas escadas.

– Hein? Mas pode demorar muito. Não há outros elevadores que possamos usar, tipo um de serviço?

– Talvez, mas é muito arriscado. E não podemos acabar como quem estava aí...

Yuuno, distraída, não tinha percebido os filetes de sangue escorrendo pelas frestas do que um dia foram as portas da cabine, além de pequenos jatos manchando o piso. Arrepiou-se só de imaginar como seria morrer daquela forma, e que tipos de pessoas poderiam estar ali. Mesmo sem corpos ou partes deles à mostra, era algo aterrador.

– Vamos logo Yuuno. Quanto mais demorarmos, pior pode ser.

– S... Sim – disse tentando recompor-se, e seguiu a irmã até a escadaria.

*Flashback ON*

Já fazia algumas semanas que Shunsuke estava na casa das irmãs. Nesse meio tempo, as duas se acostumaram a viver com ele e até criaram-lhe certa afeição, mas muito pouco descobriram sobre sua origem, e ele também parecia hesitante em contar certas coisas. Asuza não o tomava como um mentiroso, mas alimentava leves desconfianças. Yuuno nem sabia direito o que pensar, só sentia que ele estava com medo e precisava de mais tempo para se abrir e pedir ajuda.

Alguns motivos de alerta eram as formas dele de agir em determinadas situações. Evitava que qualquer uma das duas examinasse seu corpo ou o tocasse de forma mais direta, e perturbava-se quando precisava trocar de roupa com alguém perto. Evitava remédios e tinha extremo pânico de agulhas, bisturis e outros materiais hospitalares. Asuza já começava a se convencer de que ele sofria abusos em algum hospital ou clínica, e por isso fugira. Mas ele continuava se recusando a falar.

Outro motivo para estranheza eram as crises de dor de cabeça. Vez ou outra Shunsuke era pego por uma sem qualquer razão aparente, e por períodos de tempo exatos. No início, parecia uma enxaqueca comum, mas na última dessas crises, presenciada por ambas, as coisas saíram um pouco mais do controle: Asuza conversava com ele, pensando em convencê-lo a falar de onde vinha, quando ele repentinamente caiu e começou a gritar.

– Yuuno, depressa, venha aqui!

– Já vou!

Ela entrou correndo no quarto e o viu se contorcendo de dor no carpete, com as mãos sobre a nuca.

– Meu Deus... Isso nunca aconteceu antes!

– Eu sei... E só agora eu percebi, parece que as dores são piores na nuca.

Asuza franziu o cenho intrigada, até que percebeu algo mais. Ajoelhou-se ao lado de Shunsuke e olhou para a irmã.

– Yuuno, segure as mãos dele. Deixe elas longe da cabeça.

– Hein?

– Só faça o que estou dizendo, quero ver uma coisa.

– Ah... Está bem...

A muito custo, Yuuno segurou os pulsos dele e puxou, se esforçando pra mantê-lo com os braços parados. Ele continuava agonizando, sequer parecia pensar tamanha era a dor que o consumia. A mais velha o virou sem demora, o segurou e verificou a nuca. Havia uma tatuagem que elas nunca perceberam por causa do cabelo.

– Zero, quatro, sete... E um código de barras. Mas o que isso significa?

– Creio que seja uma identificação, provavelmente do lugar onde causaram os traumas... Podemos pensar nisso depois que ele se acalmar, então pegue o remédio pra mim.

– Certo.

Yuuno trouxe a caixa com os medicamentos, e logo que ele viu a ampola e as seringas na mão da mais velha, gritou para que não aplicassem nada nele. Asuza teve pulso firme para explicar que era necessário naquele caso, mas ele continuava negando, e não houve outra opção senão a de segurá-lo e aplicar à força. Tarefa extremamente difícil, porque apesar de não parecer, ele tinha uma força descomunal.

Poucos instantes depois que o sonífero foi aplicado, Shunsuke apagou e elas o colocaram na cama.

– Como foi que não reparei nessa tatuagem antes?

– Calma, mana... Aconteceu, só isso. Mas o que vamos fazer?

– Não sei...

Asuza deu alguns passos pelo quarto, sentando-se em seguida.

– Nunca vi uma identificação como essa, mesmo quando estava na polícia. Tenho medo do que posso encontrar se pesquisar mais a fundo.

Yuuno engoliu em seco.

– É possível que... O estivessem usando como cobaia?

– Creio que sim. Obviamente estamos lidando com uma vítima, e sabe-se lá até que ponto vão os efeitos do que fizeram com ele...

Ela se levantou, reparando no impacto que seu comentário causara na irmã. Não queria fazê-la se sentir mal, mas também não queria que ela estivesse despreparada caso descobrissem o pior. Era uma coisa ruim demais para ser imaginada por alguém como ela, e sua expressão de horror demonstrava bem isso.

– Bem, vou procurar informações. Fique aqui e cuide dele.

– Certo...

Ela respondeu sem sequer se mover, enquanto a mais velha pegava a caixa de remédios e saía do quarto. Yuuno foi até a cama e se sentou na beira. Olhou, triste, para aquele rosto adormecido. Pela primeira vez tinha medo de saber mais sobre ele, e esse medo apertava seu coração. Já gostava demais dele, e pensar no que poderia ter lhe acontecido era algo terrível, que doía no fundo da alma.

– Você não contou de onde veio ou o que aconteceu, mas eu sei que você sofreu muito... Foi algo tão horrível assim?

Ela afagava o cabelo dele enquanto algumas lágrimas escorreram-lhe pelas bochechas. Sentia-se tão perdida! Se deitou ao lado dele, soluçando, e pôs a cabeça em seu peito. Podia ouvir o coração de Shunsuke bater, tranquilo. Quem dera o seu próprio estar tão tranquilo quanto o dele naquele momento. Mas sabia que, por mais que ela estivesse sofrendo por ele, não podia ajudá-lo a carregar seu sofrimento, ou quem sabe, curar suas feridas.

*Flashback OFF*


Ambas subiam as escadas o mais rápido que podiam. Corriam, ofegavam e logo voltavam a subir. Após alguns andares, pararam.

– Asuza... Em que andar... Nós estamos? – disse Yuuno, tentando recuperar o fôlego.

– Segundo a placa... Estamos no sétimo andar. Só precisamos subir mais cinco.

– Certo.

Lá no alto, havia diversos barulhos: Concreto quebrando, correria, tiros e mais um som que não conseguiam identificar: Era uma frequência constante, alta e consideravelmente aguda, ligeiramente similar a uma microfonia. Repentinamente, o som ficou mais forte e toda a construção estremeceu por alguns segundos. As irmãs se agarraram ao corrimão, e assim que o tremor parou. Exceto pelo som agudo, os sons pararam completamente. Elas se olharam assustadas e voltaram a subir.

*Flashback ON*

Yuuno acordou e percebeu onde estava: No quarto da irmã, ainda deitada junto de Shunsuke. Já havia amanhecido, e não bastasse isso, ele estava acordado, olhando pra ela. Ela corou e sentou-se rapidamente.

– Shunsuke... Desculpe, acabei dormindo.

– Não tem problema.

Ele respondeu sem encará-la, visivelmente intimidado. Yuuno sorriu meio sem graça e se levantou, e foi aí que percebeu a irmã na porta e levou um susto.

– Ahh, mana! Que susto!

Asuza riu.

– Desculpe, eu vi vocês deitados aí e não quis atrapalhar. Estavam tão fofos juntos! Bem, desçam, eu já fiz o café da manhã.

– Ah... Ok – ela respondeu, envergonhada.

Yuuno desceu para o café com dificuldade em esconder a tensão. Lembrou que a irmã ia pesquisar sobre a tatuagem na noite anterior, e esperava um momento pra falar com ela a sós. No entanto, Shunsuke começou a se comportar de maneira estranha: Do nada, estava respirando com dificuldade, tremendo e suando frio. Parecia prestes a entrar em pânico.

– Shunsuke, o que foi?

– Eu não sei... Sinto como se tivesse alguma coisa aqui. Estou com medo.

Asuza, a princípio, estranhou a reação, mas logo percebeu que ele poderia estar certo. Segundos antes ela teve a impressão de ouvir alguém no jardim da frente, e não só isso, percebeu algo brilhando entre os arbustos.

– Abaixem-se agora!

Asuza gritou e puxou os dois pra baixo da mesa, quando a janela da sala de jantar se estilhaçou com dezenas de tiros, que por pouco não os acertaram. Shunsuke gemeu, ainda mais assustado do que antes, e Yuuno mal podia acreditar naquela situação.

– O que está acontecendo?!

– O Shunsuke estava certo. Tinha alguém de tocaia no jardim.

– Eu sabia, é culpa minha! Eles me encontraram!

– Eu entendi, mas vamos logo sair daqui!

Os três saíram debaixo da mesa engatinhando, tentando não aparecer diante da janela. Lá fora, um grupo de militares se reunia com o atirador e planejava invadir a casa, dado o fracasso dos tiros. Mas a porta da garagem se abriu e o carro dos Hagiyama saiu a toda velocidade. Asuza tinha os guiado até a porta dos fundos e com isso foi capaz de escapar.

– Droga! – o superior apertou os dentes – O que estão esperando? Chamem reforços e vão atrás deles!

No carro, Asuza nem se importava mais com o que fizessem na casa. Salvar a irmã, o “hóspede” e a si mesma era sua prioridade máxima. Dirigia séria e o mais rápido que seus instintos lhe permitiam, mesmo sem saber exatamente aonde ir. Yuuno estava no banco de trás, assustada, e tentando acalmar Shunsuke, que se culpava pelo ataque, mas já menos histérico.

– Eles só estão lá por minha causa. É a mim que eles querem.

– Mas por quê? Por quê eles estão atrás de você?!

– Porque eu não sou normal!

– Não é normal? – Asuza o encarou pelo retrovisor – Explique-se.

– Não sou. Quero dizer, eu não tenho certeza se era, mas eu estive preso num laboratório desde que era pequeno, e nesses anos todos fizeram várias experiências comigo. Injetaram várias coisas em mim, me fizeram inalar e tomar remédios de vários tipos, tiraram amostras de sangue e pele e muitas outras coisas... Eu passava mal, tinha dores horríveis e pensava que iria morrer a qualquer momento. Várias crianças que passaram pelos mesmos testes morreram. Eu fui um dos únicos que sobrou.

– Então você criou resistência às substâncias. E essas substâncias, além de te deixarem mal, tinham algum outro efeito? – foi a vez de Yuuno perguntar.

– Nos primeiros anos não. Mas depois eu comecei a ficar mais forte, mais rápido, e algumas habilidades estranhas apareceram. Aí eu usei o quanto conseguia dessas habilidades e fugi.

Ele tomou um pouco de coragem antes de continuar falando.

– Aquela destruição no centro há algumas semanas... Fui eu que causei. Enquanto estava fugindo dos soldados.

– Como?! – Asuza se assustou – Eu me lembro de ter visto isso no noticiário, mas... Até carros e helicópteros deles foram destruídos. Você tem mesmo todo esse poder?

– Tenho, mas ainda não sei controlar muito bem. Acho que só consegui usar tanto dele naquela hora porque estava apavorado.

– Entendo...

– Estão seguindo a gente!

Yuuno apontou para o vidro de trás, e pelo espelho a mais velha viu vários carros e jipes os seguindo. Em seguida, um helicóptero passou por cima deles, voando baixo. A ventania jogava areia pelas janelas, enquanto Asuza se esforçava para não se atrapalhar e continuar a fuga.

– Que droga!

Ela acelerou e entrou na área comercial. No entanto, havia um bloqueio e vários militares armados esperando por eles. Ela freou bruscamente, rangendo os dentes de raiva. Tinha falhado em sua missão.

– Então era uma armadilha... Malditos.

Os três foram praticamente arrancados do carro, e Shunsuke começou a chorar. Parecia uma criança sendo tirada da família. Yuuno também teve vontade de chorar ao vê-lo naquele estado. Observou enquanto ele era carregado pelos braços e um sargento fazia a leitura do código de barras com um pequeno aparelho.

– O código e o chip conferem. Podem levar.

– Chip? –murmurou Yuuno.

– Sim. Pelo visto há um chip implantado na nuca dele. Provavelmente é a causa das dores de cabeça, e o código de barras pode ser a maneira de identificar pessoas como ele.

As duas murmuravam, cercadas por todos os lados, mas quase sem que lhe dessem atenção. E Shunsuke continuava a implorar misericórdia.

– Não façam isso. Não me levem de volta, por favor...

Mas inesperadamente, a atitude dele mudou. Os olhos se acenderam num azul fluorescente, e o choro deu lugar a uma expressão de raiva. Antes que pudessem dizer qualquer coisa, ele puxou e arrancou os braços de seus algozes, escapando logo em seguida. Yuuno soltou um grito ao presenciar algo tão grotesco e repentino, e demorou alguns momentos pra se recuperar.

Bastou que um soldado gritasse para que fossem atrás dele, deixando apenas alguns poucos para socorrer os feridos. O grupo seguiu Shunsuke a um dos prédios, no qual ele entrou por uma janela, mas não puderam capturá-lo: Um estrondo assolou o lugar e logo as irmãs puderam ver as estruturas luminosas abrindo caminho pelo concreto e vidro do edifício.

*Flashback OFF*


Finalmente, ambas chegaram ao último andar. Yuuno abriu a porta e viu os corpos de vários daqueles homens espalhados pela imensa sala. No centro de tudo estava Shunsuke, ajoelhado. As lâminas imensas e transparentes saíam do seu próprio corpo e do chão ao seu redor.

Elas adentraram o lugar um tanto receosas, pisando sobre o carpete banhado de sangue e se desviando dos homens mutilados. As lâminas, vistas pelo que antes era o teto, estendiam-se a perder de vista no céu já escuro. Aliás, tudo o que restava para iluminar aquela sala era a luz provinda delas e do corpo do próprio Shunsuke, que por sua vez parecia inconsciente, mas com os olhos abertos. Yuuno se ajoelhou na frente dele e tocou em seu ombro.

– Shunsuke, você está bem?

Ele demorou um pouco pra esboçar qualquer reação, mas logo que o fez a reconheceu e sorriu.

– Yuuno... Pensei que não ia te ver mais.

– Eu também pensei.

E o abraçou, com lágrimas nos olhos. Estava gelado feito um cadáver, e as pontas em suas costas, afiadíssimas, abriram alguns cortes nos braços da garota.

– Droga, assim até parece que você está morto... De novo...

– Não estou morto, mas isso prova que eu já não sou normal. E além disso... Eu me sinto fraco. Como se eu estivesse usando todo o poder que me resta agora.

Ela engoliu em seco outra vez.

– Você não quer dizer...

– Sim. Sinto que chegou a minha hora.

Imediatamente, as lágrimas correram com mais força pelas bochechas coradas dela. O acariciou no rosto, fitando o azul de seus olhos e o sorriso sereno, porém entristecido.

– Mas Shunsuke... Você não pode morrer! Você tem uma chance de viver em paz e ser feliz com a gente, como esteve sendo até agora!

– Não. Enquanto eles existirem, eu não terei paz. Não terei paz enquanto eu mesmo existir. Não quero viver fugindo, matando pra sobreviver. E colocando a pessoa que eu amo em perigo.

Os dedos dele enxugavam inutilmente os olhos lacrimosos de Yuuno. E puxando o rosto dela para perto de si, a beijou. Ela estremeceu. Pela primeira vez sentia os lábios da pessoa que amava. Frios, mas que ela sempre desejara. Terminado o beijo, percebeu que a luz que o envolvia estava se apagando. Mais do que isso, as lâminas começaram a se desfazer, desaparecendo no ar. Sumiram por completo e deixaram o corpo fragilizado do rapaz cair sobre ela.

– Shunsuke...

– Hm?

– Eu também te amo.

– Que bom, fico feliz...

E a abraçou com ainda mais força.

– Obrigado. Obrigado por tudo, a vocês duas.

Sua respiração finalmente cessou, em paz. Yuuno deitou-o em seu colo e se pôs a chorar pela perda. Asuza, que observava tudo em silêncio até então, agachou-se ao lado da irmã e a abraçou. E também, olhou para ele, sem conter mais as lágrimas.

– De nada, Shunsuke. Não vamos te esquecer, nunca mesmo.

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