Bloodthirsty Majesty - Capítulo único

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Bloodthirsty Majesty - Capítulo único

Mensagem por Mizuki em Seg Ago 11, 2014 4:07 am


Há muito tempo, conta-se a história de um reino próspero. Um reino repleto de boas pessoas e boas condições de vida. No entanto, esse reino vivia um momento muito delicado: Seu rei, que tanto se dedicara a estabelecer a paz e a alegria, estava agora à beira da morte.

De fato, o rei chegava a estar pior do que se comentava. Os trajes reais e a coroa adornavam seu frágil e envelhecido corpo como uma tentativa inútil de esconder a passagem do tempo. Das longas mangas saíam braços finos, trêmulos, enfraquecidos. Em seu rosto, a barba branca e os olhos semicerrados chamavam a atenção. Sua voz já não tinha firmeza quando falava, e ele já não agüentava permanecer em pé ou andar por muito tempo. De tão debilitado, o pobre rei era motivo de pena e tristeza entre a corte, e também entre o povo.

Por mais difícil que fosse aceitar, todos sabiam que ele logo morreria. E sendo assim, seu jovem filho ocuparia o trono. Era neste ponto que certo temor e inquietação surgiam entre as pessoas. Isso porque, desde a infância, o mesmo foi criado com o mínimo de interferências possíveis, o que o tornava desconhecido do povo. Que tipo de homem ele poderia ser e mesmo tornar-se?

A resposta veio logo após a morte do rei. No dia da coroação, surgiu diante da corte um belo jovem, quase desconhecido. Poucas tinham sido as vezes em que ele aparecera em público até então, e ainda mais raras as vezes em que proferira alguma palavra. Muitos sequer se lembravam de seu nome, ou nem mesmo sabiam qual era. Nome este que foram aprendendo logo que se findou a cerimônia.

Eric. O nome do rapaz de cabelos castanhos, ligeiramente dourados, e olhos escuros que vinha causando comentários por sua beleza e semelhança com o pai na juventude. Mas o príncipe, para o desespero do povo, mostrou-se egoísta e ganancioso. A graça silenciosa antes vista deu lugar a um olhar de desprezo e às ordens absurdas. A começar pelo exército, que foi forçado a reunir-se e aceitar um plano para conquistar o reino vizinho. Como? Um reino tão autossuficiente e pacífico como aquele, guerreando sem motivo algum? Na cabeça dele, tudo fazia parte de sua realização pessoal. Diga-se de passagem, uma ideia deturpada de realização.

E assim foi feito: Os planos do rapaz deram certo e o reino vizinho, pego de surpresa, foi completamente tomado. O pior: Muitos outros vieram depois dele. O príncipe ordenava que deixassem parte dos cidadãos vivos, mas que os capturassem e os forçassem a lutar ao seu lado. Sem ter como negar, mais e mais pessoas iam agregando-se ao exército dele -já imenso- e dando poder o bastante para dominar reinos cada vez maiores, apesar do grande número de mortes em alguns combates. A cada invasão, ele matava o governante de cada reino sozinho. E a peculiaridade em torno disso, que amedrontava o povo, era o fato de Eric guardar as coroas de cada um. Reis, rainhas... E dezenas de coroas, uma a uma, eram postas numa grande sala do castelo, feita especialmente pra isso.

Era comum ele trancar-se lá e permanecer admirando as coroas, contando-as, relembrando os últimos momentos de seus antigos donos e pensando no que mais poderia conquistar. No entanto, as muitas riquezas acumuladas não o satisfaziam. Havia um grande vazio dentro dele, uma inquietação que o fazia quase enlouquecer. E enlouquecer em silêncio, pois não confiava em ninguém. Mas ele achava que tudo ficaria bem se ganhasse mais poder. A satisfação e a adrenalina das conquistas, mesmo que temporárias, pareciam trazer certo alívio a essa inquietação, ou ao menos fazê-lo esquecer dela por breves momentos.

Por seu reinado de terror e a matança desenfreada, foi apelidado de “Majestade Sanguinária”. Mas para muitos, por não reconhecê-lo como um verdadeiro rei, era apenas “O Príncipe Sanguinário”. Sua alcunha e seu estandarte, carregados até um fatídico dia. O dia em que tudo deixaria de ser o que é.


No reino que um dia fora pacífico, agora tomado pelo medo, estava um velho. Todos o consideravam senil, fora de si, por sempre afirmar que tinha visões. Ele dizia isso de forma natural, sem aparentar loucura ou demonstrar más intenções, mas mesmo assim as pessoas o ignoravam e se afastavam, por medo de bruxaria. Como ele trabalhava vendendo as maçãs de seu pomar numa grande feira local, era comum referirem-se a ele como "O Velho das Maçãs". O que poucos sabiam é que, de fato, ele tinha visões.

Naquele dia em especial, ele estava agitado. Tivera um sonho revelador na noite passada e desde então não parava de falar sobre com a esposa e com a filha mais nova, a única ainda vivendo com os pais.

– Janice, estou lhe dizendo... Desta vez estou certo de que é verdade! – dizia ele.

– Eu acredito em suas visões, Vergil. Mas diga-me: Não é verdade que, às vezes, elas tendem a falhar? – respondia a esposa, lavando as maçãs recém-colhidas.

– Sim, é verdade... Mas algo muito forte me diz que acontecerá. Como posso dizer... É uma grande, imensa certeza, entende?

– Entendo. Então... Este será o fim?

– Tudo leva a crer que sim. Se for verdade, finalmente estaremos livres, e as pessoas acreditarão em mim.

– Isso seria maravilhoso. Estamos fartos da zombaria do povo.

A filha, enxugando suavemente uma maçã, entrou na conversa sem olhá-los.

– Não se preocupe papai. Tenho certeza de que sua visão está correta. E o que viu não tardará a acontecer.

– Que quer dizer, Helen? Acaso sabes de algo?

– Sei... – e voltou-se para os dois – Porque sonhei com o mesmo.

Um vasto salão estendia-se diante de olhos insatisfeitos. As paredes eram decoradas com armaduras de penachos azuis, o mesmo tom do céu visto através da abóbada de vidro do lugar. O sol brilhava e iluminava o piso de mármore, além de ressaltar o verde das árvores lá fora, suavemente balançadas pelo vento.

Silêncio. Um silêncio muito denso, que o príncipe não se atrevia a quebrar. Sentado em seu trono e completamente sozinho, ele tentava conseguir um pouco de paz. Mas era inútil: Uma agitação constante tomava conta dele. Não o permitia acalmar-se, fervilhava em suas veias. Embora fosse bom ter um tempo só para si, o príncipe sempre evitava esses momentos ao máximo. Pois a calmaria e o silêncio excessivos eram esmagadores. O preenchiam de um pavor inexplicável, do qual ele se recusava a falar ou mesmo demonstrar.

Por quê? Porque o silêncio lhe remetia à solidão. E quando a solidão o abatia, era natural que suas piores lembranças lhe viessem à mente. Essas lembranças pareciam reviver e torturá-lo por dentro. Especialmente se, somado a isso, estivesse o fato de que ele realmente estava sozinho. E o rancor que ele alimentava do mundo e de si mesmo por tamanha solidão faziam crescer o vazio e a loucura já existentes dentro dele.

Eric sacudiu a cabeça tentando afastar essa sensação. Não estaria ali se não estivesse esperando... E por isso mesmo, implorava mentalmente para que essa espera terminasse logo. Olhava impaciente para o mapa aberto em seu colo, atentando-se aos nomes de reinos marcados a faca. Todos os reinos que conquistara, bem ali, na palma de sua mão. E observou um único nome intacto: Só mais um e todo o continente seria seu. Ele sorriu ao pensar na satisfação, e sem pensar no que viria depois, guardou-o.

O capitão da guarda adentrou o salão, finalmente quebrando aquele silêncio perturbador. A movimentos ruidosos, provenientes de sua armadura e de seus passos, se aproximou do trono e dirigiu-se ao rapaz.

– Vossa Majestade – disse ele – Venho lhe informar que as preparações foram terminadas. Podemos partir quando desejar.

– Muito bem. Chame o cavalariço – pronunciou – E mande-o preparar meu melhor cavalo. Desejo partir imediatamente.

– Imediatamente, Mejestade? – o homem pareceu surpreso.

– É o que acabo de dizer. Vá logo, quero partir o quanto antes.

O capitão acenou afirmativamente com a cabeça e saiu. Poucos momentos depois, Eric desceu do trono, apressado, levando o mapa enrolado na mão. "Só mais um...", pensou. E saiu para a estrebaria, onde seu cavalo aguardava.

Um longo tempo de caminhada estendeu-se até o último reino. Houve algumas paradas para descansar e comer, mas nenhuma que durasse muito, pois o jovem estava impaciente demais. Não queria ter de esperar mais um dia. Não queria permanecer parado. Seu sangue pulsava de excitação ao pensar na batalha que viria, embora muitos de seus homens estivessem temerosos.

Aliás, o receio dos soldados chegava a ser cômico pra ele. Não saberia explicar o porquê se perguntassem, mas era. Por isso mesmo e cercado por eles, severamente preparados para possíveis imprevistos, o príncipe punha-se a observar curiosamente as atitudes de cada um. Foi quando algo lhe chamou a atenção: Dois soldados logo à frente cochichavam sobre algo um tanto estranho.

– Pois é, ele disse exatamente isso...

– Impossível... Ninguém nunca chegou perto de derrotar Vossa Majestade.

– Eu sei. Mas é bem verdade que ninguém permanece invicto pra sempre, não?

– De que estão falando? – Eric aproximou-se e olhou fixamente para ambos.

– Ahh... É que... Quero dizer... Sobre uma profecia maluca que fizeram. – gaguejou.

– Exato – concordou o outro – Um homem louco de vossa terra natal profetizou que Vossa Majestade morreria logo, durante uma conquista. Mas ele está obviamente delirando, estamos apenas debatendo sobre o assun...

– Basta.

O jovem interrompeu num tom ameaçador. Os dois engoliram em seco e calaram-se. Dali por diante, até mesmo os outros soldados pararam de falar, tentando não irritá-lo.

Uma profecia sobre uma derrota? Absurdo. O príncipe franziu o cenho e baixou a cabeça, permanecendo calado também. Mas o turbilhão em sua mente continuava. E agora, também pensava no que os soldados haviam dito. Ele não era do tipo que acreditava no sobrenatural ou em magia, mas a tal profecia o irritou. Alguém de seu próprio reino teve a coragem de inventar uma história como essa e ainda espalhá-la para o povo. "Quanta impertinência...", pensou. E continuou, tentando esquecer isso.

Por fim, chegaram ao seu destino. Era um lugar belo, e do topo daquela grande colina, era possível avistar um imponente castelo destacando-se entre as muitas construções.

Feita a estratégia, o exército desceu com a fúria de uma avalanche. Os cascos retumbando nas pedras e os gritos dos soldados imediatamente chamaram a atenção do povo, que, percebendo do que se tratava, entrou em pânico. Uma correria descomunal tomou conta das ruas, e aqueles que podiam iam dando abrigo aos que ainda não tinham onde se esconder. O exército chegou às casas quando muitos ainda corriam e se escondiam, e os cavalos acabaram por atingir e pisotear parte deles durante a confusão.

O capitão da guarda daquele reino sobressaltou-se ao ver o que acontecia por uma das janelas do castelo.

– Deve ser o Príncipe Sanguinário! Isso é terrível, é terrível! – repetiu desesperado pra si mesmo enquanto descia a escadaria do salão e corria em busca de ajuda.

O capitão correu de encontro aos outros e explicou a situação como pôde.

– É isso, soldados. O centro de todo esse caos em nosso continente é o tal príncipe. Se o encontrarmos e o matarmos, tudo acabará. Vamos!

Mas o príncipe, além de cruel, era esperto: Sabia que seria facilmente reconhecido se trajasse as vestimentas reais e sua coroa durante os ataques, e por isso mesmo corria o risco de ser atacado primeiro. Sendo assim, ele sempre vestia armadura e elmo iguais aos dos outros antes de atacar, e todos o reconheciam apenas pela voz e pela espada que empunhava. Era algo simples, mas o suficiente para despistar seus inimigos, que sempre o perdiam de vista em meio aos outros soldados. Com estes não seria diferente.

Um grupo de soldados escolhidos previamente e liderados por ele separou-se dos outros e seguiu em direção ao castelo, onde vários guardas já esperavam.

– Matem-nos! Não deixem que nos impeçam! – gritou, com ódio no olhar.

Os homens furiosos saltaram de seus cavalos e lutaram frente a frente com os guardas. Alguns deles tentaram fechar a ponte levadiça, mas Eric, com seu arco, os matou e matou mais alguns do lado de fora à espada. A lâmina brandiu e espalhou o sangue deles pela grama com extrema velocidade e precisão, acertando justamente as brechas nas armaduras. Os anos de treino –secreto, como quase tudo em sua vida- certamente tinham dado resultado.

Assim que terminaram de matá-los, os soldados de Eric –incrivelmente, quase sem arranhões- correram pra dentro e não demoraram a render alguns criados. Ele retirou seu elmo e olhou atentamente para cada um dos criados, estes ajoelhados no chão e visivelmente aterrorizados.

– Quem de vocês sabe onde ficam os aposentos reais? – perguntou, inquirindo-os com o olhar.

Três ou quatro tiveram coragem para levantar a mão.

– Ótimo. Você! – e apontou a espada para uma menina de avental – É lá que está o governante desse país?

– Não senhor... Mas sei onde está. – respondeu.

– Ótimo. Me leve até ele, agora. E se acaso tentar me enganar, juro que te matarei.

A veracidade da ameaça era clara. Logo a garota se levantou, trêmula, segurando a barra do vestido para não cair e caminhou depressa até as escadas. Um longo corredor se passou, e logo chegaram à porta de outra escadaria, desta vez em espiral. Ele franziu o cenho.

– Está me dizendo que ele está no topo da torre?

– Sim. Vossa Majestade gosta de passar o tempo lá...

– Certo... – disse, um tanto desconcertado – Volte para junto dos outros. Daqui em diante, eu vou sozinho.

– S-Sim.

A garota saiu apressada, e logo que deixou de ouvir seus passos, o príncipe respirou fundo e pôs-se a subir. Era escuro, com poucas e pequenas janelas na extensão da parede. Delas, podia ver parte da batalha entre seus soldados e o exército daquele reino. Longas lanças perfuravam os corpos, cabeças eram decepadas e os cavaleiros, derrubados. Aquilo não o preocupava: Contanto que ganhasse, estaria tudo bem.

Foi então que ele se lembrou do que os guardas conversavam no caminho. Sobre sua queda. Suas pernas travaram inconscientemente enquanto pensava nisso. Seria possível? Acreditar não parecia a melhor escolha, e para ele, de fato não era. Mas estranhamente, não conseguiu ignorar o assunto com a mesma facilidade de sempre. Demorou alguns momentos até que se convencesse e voltasse a subir.

"Que tolice...", pensou. "Não será um louco metido a profeta que me fará recuar."

A escadaria culminou numa porta escura, de trincos prateados. Sem hesitar, girou a maçaneta e percebeu que não estava trancada. Estranhou, mas entrou rapidamente e fitou um vulto em frente à janela. Quando esse vulto virou-se, tudo parou.

A figura fria de uma jovem surgiu diante dele. Os longos cabelos negros, completamente soltos, caíam-lhe sobre as costas e os braços alvos. E sobre sua cabeça, havia uma delicada coroa, formada por ramos de prata cravejados de safiras. Mas não foi aquilo que mais lhe chamou a atenção: Eric fitava seus olhos. Sim, os grandes olhos da moça é que eram as verdadeiras safiras. Aquele olhar, quase totalmente parado, o atingia como se visse o fundo de sua alma.

Paralisado. Eric permaneceu imóvel, fitando-a. Pela primeira vez desde que se tornou rei, esquecera-se das conquistas, das batalhas, de tudo. E pela primeira vez, esqueceu-se da perturbação que o silêncio lhe causava. Naquele momento, ele se sentiu completamente dominado pela essência daquele ser. Dominado, mas em paz. Mesmo a fúria que corria em suas veias pareceu acalmar-se.

Ficaram ali, como estátuas, durante muitos instantes. Ele, surpreso, e ela, inexpressiva. Finalmente a jovem se moveu e olhou para ele mais atenciosamente.

– Quem é você?

– Ah... – ele reagiu, ao ter o "transe" quebrado – Eu sou Eric.

– Hm... – ela ponderou por alguns momentos – Me chamo Annika.

Ela se aproximou e tocou seu rosto. Eric sentiu um choque e um extremo nervosismo. Os longos e finos dedos acariciaram sua bochecha, e em seguida o seu cabelo. As mechas reluziam sob a luz da janela conforme ela deslizava-os pelos fios, e em seguida, ambas as mãos o tocaram. E ele percebeu que, por mais que aquilo o agitasse, era uma agitação diferente de qualquer outra que já sentira. Annika sorriu serenamente.

– Sua pele é quente. Ao contrário da minha.

De fato, ele sentiu o frio de suas mãos. Ela era toda branca, como feita de neve. E delicada, como uma boneca. Somado aos seus olhos grandes e penetrantes, era o que parecia: Uma boneca cuidadosamente moldada pelo melhor dos artesãos, dotada de uma alma. E de uma personalidade incomum, especialmente se comparada às outras mulheres que ele via.

Ela parou e voltou-se para a janela, parecendo se entreter com o que havia ali fora. Curioso, ele foi até lá e viu que ela observava a batalha entre seus soldados e os soldados dele. Na distância, era possível distinguir muitos corpos espalhados, sangue pela grama e uma batalha ferrenha entre os que restavam. Ela olhou um pouco, quieta, antes de virar-se para ele novamente.

– Você é mesmo o tão falado Príncipe Sanguinário?

– Sou... – ele não teve como negar.

– Entendo... Olhando para você agora, diria que é apenas um príncipe, não um assassino.

Annika subitamente o abraçou e lhe fez faltar o fôlego por um momento. Ele não conseguia prever as ações da moça, nem reconhecer suas intenções. Ela era como um lago escuro, congelado, da qual não se pode ver o fundo. Mesmo assim, não podia evitar: Ela o tocara até a última fibra de seu ser. Aquele corpo frio, em contato com o seu, causou-lhe tremores velozes e impiedosos.

– Um assassino de sangue quente... Ah, tão diferente de mim...

Não houve resposta. A dor pareceu lhe tirar a voz. Eric abaixou a cabeça e notou: Uma adaga em seu abdômen, que logo foi arrancada. Mal podendo conter os gemidos, ele caiu e olhou, sem acreditar, para aqueles olhos. Ela voltou ao olhar frio e inexpressivo que tinha quando ele chegou ao quarto. Não demonstrava qualquer satisfação em ter feito aquilo. No entanto, o olhar impiedoso dela era como uma segunda adaga, dessa vez perfurando-o o no peito.

– Por... Quê...?

– Não podia deixar que me matasse. Mas confesso, surpreendi-me ao te ver. É diferente do que imaginava.

E ela sentou-se no chão, ao seu lado.

– Um último desejo?

Poucos segundos antecederam a resposta. E um sorriso.

– Um beijo.

Os grandes olhos azuis mudaram, demonstrando bem a surpresa dela. Mas, vendo que ele realmente desejava aquilo, não se deixou hesitar. Se abaixou, segurando os longos cabelos com uma mão e uniu seus lábios ao dele. E naquele momento, também tomado pelo silêncio, algo pareceu surgir dentro de Eric. Enfim, o vazio que tanto lhe perturbava tinha sido preenchido. Agora ele finalmente compreendia seus sentimentos.

O beijo findou-se, e o príncipe sorriu serenamente, parecendo não sentir mais dor. E vendo ainda mais surpresa nos olhos de safira.

– Obrigado...

Naquele dia, o exército do Príncipe Sanguinário caiu. Ao que parecia, a princesa já esperava um ataque dele, e já tinha criado uma estratégia para caso o reino fosse atacado. Sendo assim, a desvantagem inicial desapareceu e seu exército aniquilou os invasores.

Annika, em sua tão conhecida inteligência, vinha governando o lugar há apenas alguns meses. Tivera a coragem para matar o próprio pai e a madrasta e assumir o trono, causando uma revolução no lugar. Ao contrário de Eric, ela tentava melhorar as condições do povo, mesmo que para isso tivesse que manchar suas mãos de sangue e carregar o peso da morte.

Ele, um assassino furioso, movido pelo egoísmo e por seus desejos mais íntimos. Ela, uma garota aparentemente fria, matando pelo que achava certo. Duas pessoas tão diferentes, cujas essências colidiram em um final confuso. Para a maioria, o príncipe estava de fato morto, enquanto alguns acreditavam estar vivo, no castelo, junto de Annika. Não se sabe exatamente o quê. O que se sabe é que a princesa nunca mais usou a coroa de prata. Ela a guardou na coleção de Eric, junto da coroa do mesmo. Talvez por certo respeito, ou talvez por também ter-se cativado por ele.

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